Panthere Noire

Hoje está sendo um dia exaustivo, o quarto seguido (sim, estou contando). Sabe aqueles dias em que você simplesmente não sabe o que fazer com suas emoções? Elas ficam como areia movediça, engolem tudo o que veem e simplesmente tudo parece uma tragédia? Essa é a sensação. Tá, talvez eu esteja sendo um pouco dramática, mas essa é a beleza da arte, o drama.

Estou parada na frente do computador olhando pra tela fixamente fazem 5 minutos, e Deus, minha cabeça dói e meus olhos resolveram que era um ótimo momento pra derramar lágrimas, sério? Mais de 99 mensagens pra responder sobre trabalho e simplesmente estou no universo paralelo chamado mente (enquanto choro ridiculamente como num filme de terror interno). Será a realidade ou será apenas meus hormônios descontrolados? Realmente, difícil dizer.

Reflexões.

Sempre fui adepta do viver. Viver ao máximo pois nunca sabemos quando será o fim. O fim da vida, da carreira, dos relacionamentos… Nunca me arrependi de nada, afinal de contas, o arrependimento é contraproducente. Mas até que ponto é aconselhável viver? Será que estou vivendo errado? Ou será que me entrego demais? A entrega, é isso. Vivi momentos chave na minha vida, mas a entrega? Ela moveu mudou mundo.

Aos 16 era uma pessoa extremamente tímida, sabe aquelas personagens clichê de filme adolescente? Pavoroso!. Não deixava ninguém adentrar as grossas muralhas que eu tinha construído em minha volta. Deixei de viver momentos e pessoas. Perdi mais do que ganhei. Demorei, pelo que percebo agora, um tempo muito longo pra entender que eram apenas traumas. Hoje sou o completo oposto.

Pedi coração de gelo, recebi geleia. Sofri, mais vezes do que posso contar. E meu coração? Ah, ele sempre se reconstruía. Mas quantas vezes você suporta? Me fiz essa pergunta milhares de vezes ao longo desses anos. Meus 25 foram simbólicos, a partir dali eu simplesmente parei de aceitar as coisas que não me cabiam mais, os lugares que não me cabiam mais. Chegamos em um certo ponto da vida em que não temos mais força pra investir. Investimentos sejam eles quais forem. A entrega, ela ainda existe, mas com a escolha de onde poder colocá-la.

- CG

Tive dores e amores… e que amores e QUE dores. Já vivi aquela paixão avassaladora que que te suga o ar, daquelas que te fazem viver sempre na corda bamba. Foi como uma avalanche que destrói todo o caminho que percorre, e de fato, me destruiu.

Já vivi um amor que me ensinou que estava tudo bem amar de novo, que nem todas as pessoas vão te machucar. Uma das coisas mais loucas que já vivenciei.

Já vivi aquele romance de filme, sabe? Aquele que daria um bom livro. O conheci aos 15 e obviamente, ele não fazia ideia da minha existência. Aquela paixão em segredo, bem romance de colegial. Seguimos nossas vidas e o reencontrei aos 20. Gosto de dizer que foi uma paixão de verão (literalmente).

Mas estou aqui pra dizer que conheci o cara, AQUELE cara. Começo dizendo que cada vez que uso essa expressão dou largos sorrisos e sinto aquela sensação que aquece a alma (e sim, borboletas no estômago são reais). Sabe aquela frase “quando for a pessoa certa você vai saber?”, até então eu não fazia ideia do que ela significava. Até agora.

Ele não é perfeito, e essa é a magia… é como ler uma partitura. Sabe, música clássica? Perfeito até nas suas imperfeições. Lemos na infância que o amor da nossa vida viria em cima de um cavalo branco, com sorriso reluzente e armadura. E não é que vem? O meu por exemplo, anda de ônibus, o sorriso ilumina o ambiente todo e as armaduras são internas.

Confesso que enquanto escrevo esse texto estou profundamente preocupada se ele vai conseguir queimar uma panela todinha de feijão e botar fogo na casa. É brincadeira (ou não).

Estar com ele é tão fácil quanto respirar. Mais leve que uma pena, é tão tranquilo quanto observar o céu numa noite estrelada. Me arrisco a dizer que nunca me senti tão segura sobre e com alguém. É única e exclusivamente o ato mais simples. É como poesia ou até uma dança, é como fechar os olhos e ouvir uma melodia que acalma. É silêncio e ruído ao mesmo tempo. Simplesmente, é.

Leio atentamente, sem perder uma palavra, cada página do livro da vida que ele me oferece, como uma criança curiosa que acabou de aprender a ler. Não há pressa, não há precipitação, só a boa e velha calmaria. É se sentir livre e deixá-lo livre, com a confiança de que ele continuará escolhendo voltar pra mim.

Ouso dizer que encontrei o amor da minha vida, sem sombra de dúvidas. É uma escolha. No meu caso, uma linda e bela escolha com 1,90m de altura.

- CG

Dualidade

Hoje é mais um daqueles dias, a ansiedade me visitou e dessa vez entrou tão rápido que não consegui dizer a ela para que voltasse mais tarde…droga! Não escapei. 

Como se estivesse em casa (e acredite, ela sempre se sente em casa), ela sentou, colocou os pés pra cima, tirou o longo casaco e abusadamente, me pediu uma xícara de café. Imóvel, fiz pedidos internos para que ela simplesmente se tocasse de que não era bem vinda e implorei a todas as entidades que me regem que pelo amor que tinham a mim, que arrumassem um compromisso urgente para que ela tivesse de ir embora. 

Me olhando fixamente, ela me bombardeou com perguntas. Perguntas que não tenho respostas. Cansada das questões não respondidas, ela quis reviver momentos e plantar situações inexistentes. E lá se vai mais horas de insanidade total. 

Exausta, levantei, me olhei no espelho e para o meu espanto: estava olhando pra ela… dei 2 passos e olhei pra trás e não havia ninguém. Olhei no espelho novamente e lá estava ela, me fitando com o mesmo olhar de espanto que estampava meu rosto.

 A figura que representa meus maiores medos, cria paranóias e preocupações vive dentro de mim mesma, como um vilão de desenho animado só meu. Meu universo particular. 

Que irônico. A mão que te afaga é a mesma que te apedreja. Hoje estou sendo a mão que me apedreja, ao mesmo tempo, tentando ser a mão que me afaga. Isso não é louco? A dualidade do ser. 

Espero que no fim dessa conversa eu seja apenas a mão que me afaga.

- CG.

Carrosel

“O carrosel nunca para de girar”. Essa é a metáfora da vida. Pessoas vêm e vão, algumas permanecem e outras só vão. Mas o carrosel nunca para de girar, ele sempre continua, quer estejamos segurando firme ou não.

E vou confessar: o meu carrosel deu um defeitão. Estou naquele momento prestes a ser arremessada pra fora e sair pela tangente com o aumentar da velocidade, segurando com todas as forças pra não cair. Isso é completamente maluco.

Olho pros lados procurando qualquer coisa em que posso me agarrar pra escapar da queda mas não vejo nada e nem ninguém. Sinto que estou caindo em câmera lenta, tipo naqueles filmes de comédia em que o personagem está com aquele desespero no olhar momentos antes da merda acontecer. Mas não há riso.

É isso: estou com problemas nas engrenagens. Preciso de peças novas. O carrosel não para de girar e talvez ele demore pra parar, mas queria ao menos, desacelerar. 

- CG

O show da vida

A cada aniversário costumo ganhar mais 365 dias de um espetáculo particular, um show de intensas emoções. Venham! Venham! Tem ingressos disponíveis pra mais um novo show (ou não) da vida.  

Intensa. Sempre foi assim que me descrevi. Das dores aos amores. Sempre vivi a vida com muita intensidade. Nunca fui do tipo medrosa. Risco? é meu nome do meio (porque ainda é). Me arrisco sempre que posso. Costumo dizer que prefiro me arrepender do que fiz do que passar a tal da vontade. 

Costumo ser assim em todos os aspectos da minha existência, vivi e SOBREVIVI. Não passei nenhuma vontade e por incrível que pareça? Não me arrependo de nenhuma escolha (nem mesmo das erradas). E estava tudo nos conformes, até então.

O fatídico 10/09 chegou, mas dessa vez? Algo mudou. Onze dias se passaram, e desde então, não consigo parar de pensar no quanto estou cansada, ou seria talvez: mudada?. O cansaço bateu. Será que cedo demais? Talvez, tarde demais? Ou será que: na hora certa? Realmente não sei dizer.

Me pego refletindo diariamente sobre coisas que não me cabem mais, que não aceito mais. É um cansaço que transcende. Cansaço dos “amores” (um tanto quanto líquidos, diga-se de passagem), das festas, trabalho, rotina, lugares e lares. Bom, no caso “lar”, no singular mesmo. No fim das contas não é o MEU lar.

Envelheci. Será que é esse o termo correto? Talvez seria mais plausível dizer que amadureci? Ou será que apenas, endureci?. Ding, ding, ding! Creio que os três termos estejam extremamente corretos. Processos, processos. 

Enfim, devaneios.

E são mais 354 dias para novas apresentações desse espetáculo chamado vida. 354 dias para vive-la intensamente, ou melhor, tranquilamente? 

Dias e dias. Fases e fases. Seria eu, uma mulher de fases? Certamente, complicada… mas nada perfeita.

- CG

© Theme by Anyh S.